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Chook (Full Force Recordings)
Começaste a carreira de DJ a passar hip-hop. Como se deu esta passagem "brusca" para o lado negro do drum&bass?
Foi uma lenta progressão. Não gostava do lado “bling-bling” emergente na cultura hip-hop, pelo que me virei para o trip-hop e dnb que continham samples de hip-hop, como as músicas de Aphrodite. Depois adorei os primeiros lançamentos de Cause 4 Concern, Ed Rush, Optical ou Matrix.

Em 2002 participaste num curso de engenharia de som em Londres. Como é que decorreu essa experiência?
O curso de engenharia de som ajudou-me a perceber o que fazia no meu computador. Mas não é absolutamente necessário tirar um curso destes para produzir boas músicas. É possível aprender tudo o que se necessita sozinho, com a ajuda de livros, revistas, etc. Mas com certeza demora mais tempo. De qualquer forma, mesmo com o curso de engenheiro de som são necessários vários anos para se perceber realmente o que se faz no computador. Por isso, a escola ajudou-me mas não fez o trabalho por mim…
Mais tarde acabaram por criar a FF Recordings. Quais as razões que te levaram a realizar este novo projecto?
O meu parceiro Radic é que insistiu na criação de uma editora. Eu não me sentia bem preparado na altura, mas ele convenceu-me e em 2004 lançamos a nossa primeira música, “Full Force – Blow”. A Full Force Recordings representa o tipo de dnb que eu e o Radic gostamos. Não o fazemos pelo dinheiro mas pelo amor à música. Conseguimos elevar artistas ainda não muito conhecidos apenas porque gostávamos da sua música, mesmo que isso significa-se perder dinheiro. Estamos constantemente a procurar música de qualidade que se encaixe nos nossos gostos, o que não é fácil. De certa forma é como uma caça ao tesouro. Não lançamos músicas apenas para ter mais edições apenas músicas de que ambos gostamos.

Se olharmos para o leque de artistas da FF Recordings encontramos nomes como Phace, Mayhem, Skynet, State Of Mind, Misanthrop, entre outros. Qual é o segredo para terem estes grandes produtores na vossa editora?
Penso que quanto melhor é a nossa reputação mais fácil se torna. É necessário ser capaz de mostrar uma certa continuidade na qualidade. Penso que ninguém quer editar por uma má editora.
Ao longo do tempo tentamos conhecer as pessoas. Mesmo que se tenham feito centenas de quilómetros para ir a uma festa, quando se conhece pessoalmente as pessoas com quem se negoceia e se gosta delas, as coisas acontecem mais facilmente.

Tens algum conselho para dar aos produtores que participem no concurso de produção patrocinado pela FF?
Tentem fazer o vosso melhor e não fiquem rapidamente satisfeitos com o resultado. Ninguém faz uma música num dia. Quando terminarem a música não a oiçam durante uns dias e depois voltem a ouvir com os ouvidos limpos. Provavelmente perceberão rapidamente que algo não está bem na música. O mixdown é uma parte muito importante a que muitos dos novos produtores não dão qualquer importância. Tentem passar uns dias a misturar a vossa música.
É melhor ter uma boa música do que 10 medíocres por terminar.


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